terça-feira, 21 de abril de 2009

"Ter saudade até que é bom, é melhor que caminhar vazio..."

Já dizia Peninha há tempos atrás...
Essa semana me bateu uma saudade... mas uma saudade generalizada, sabe?
Saudade das pessoas... muita saudade das pessoas...
Momentos vividos voltaram à minha memória... é tanta coisa boa que a gente vive, não é? É tanta gente especial que passa pelas nossas vidas... algumas por um curto espaço de tempo, outras por uma vida inteira...
Mas de todas as minhas saudades a mais arrebatadora é a que eu sinto da minha mãe...
Achei oportuno falar disso essa semana, pra não esperar chegar "maio" e pensarem: ah, só porque é dia das mães...
Pelo contrário gente! Venho colocar aqui esse assunto porque penso que todos aqueles que já não têm mais as suas mães por perto conhecem, porém, aqueles que as têm, não sabem o que isso significa e muitas vezes esquecem de beijá-las, de abraçá-las, de aprenderem com elas e de ensiná-las outras coisas sobre as quais elas têm total desconhecimento (pois isso é comum! acreditem! as mães são humanas também!)
Não quero com esse tema despertar dó, mas ATITUDE!
Não sintam por aqueles que não têm suas mães para lhes darem um colo, uma palavra amiga, uma bronca na hora certa, um beijo antes de sair de casa, ou a bênção antes de dormir... Simplesmente AJAM enquanto podem! Beijem muito as suas mães e explorem delas tudo o que podemos receber de uma mãe, regado com muito amor...
É isso!
Além das mães, meu conselho serve para todas aquelas pessoas a quem vocês querem bem...
Digam mais vezes "eu te amo" às pessoas certas... não da boca pra fora...
Demonstrem todos os dias o quanto essas pessoas lhes são importantes... esgote ao máximo os seus sentimentos enquanto isso é possível, afinal, depois só restarão as lembranças e muita, mas muita saudade.

P.S. Pega nessa nostalgia!

BeJuMiLiGa! =D

sexta-feira, 3 de abril de 2009

Meias-Verdades/Meias-Mentiras

Oooooi galera!!!
Nossa! Minha semana foi cheia demais... Atrasei a postagem do tema da semana e outras coisitas... É que comecei a lecionar no período noturno, então preciso de um tempinho para me acostumar à nova rotina.
Bom, o que importa é que agora venho aqui pra falar sobre um tema que me ocupou demais a mente nesses últimos dias: as meias-verdades.
A palavra verdade vem do grego e significa "o que não está escondido". Ora, então a meia-verdade já é por si só uma meia-mentira... já pararam pra pensar nisso?
Ando tão indignada com algumas coisas que vêm acontecendo comigo, com pessoas que têm usado de meias-palavras pra dialogar, de meias-verdades pra expor opiniões, e de tantas meias e tantos meios, que precisava ser esse o tema da semana...
Percebo que pra muitas pessoas as meias-verdades/meias-mentiras já viraram um hábito... tem gente inclusive que acredita nesses "meios" que cria e vive numa ilusão sem tamanho, sem contar naquelas que criam uma mentira atrás da outra, para que sua mentira inicial não seja descoberta, formando uma bola de neve monumental...
A mentira não joga basquete, como diz aquela piadinha, porque tem perna curta... então é tolo aquele que acha que vai ficar impune pra sempre...
Não venho aqui usar da hipocrisia e dizer que nunca menti... já menti e bastante, mas já passei por tantos apuros por conta das meias-verdades/meias-mentiras, que aprendi a lição, e procuro sempre usar da verdade, por mais que ela doa, ou me prejudique... na real, confesso nunca fui boa em mentir ou omitir fatos, uma vez que minha vida é um livro "escancarado" àqueles que estão bem próximos de mim, tornando difícil a omissão de qualquer coisa que seja...
Na adolescência eu era do tipo que pedia segredo às melhores amigas sobre os beijos e os garotos... todavia, ao entrar em casa, eu era a primeira a contar à minha mãe, querendo uma opinião ou mesmo pra me livrar do "segredo", sei lá, nunca entendi direito por que eu fazia isso, só sei que fazia.
É tanta mentira rolando por aí... tantos "meios", que observo muito bem as pessoas antes para só depois confiar nelas... As meias-verdades viraram epidemia...
Pensem num mundo sem mentiras... no início as pessoas iriam sentir a diferença, ficariam magoadas com os acessos de sinceridade das outras, porém aos poucos perceberiam o quanto é importante um elogio quando vem com verdade e uma crítica quando tem por objetivo ajudar... e claro, aos poucos iriam também descobrir a diferença entre ser sincero e ser mal-educado, grosseiro, indelicado, e falariam de maneira natural e SINCERA!
Nooossa!!! Que utopia!
Enquanto esse dia não chega, vamos pensar sobre o assunto e começar a mudar agora... aos poucos... um bocadinho a cada dia... afinal, se a verdade dói, a meia-verdade/meia-mentira pode machucar ainda mais... Pense nisso!

Aproveito para agradecer às minhas amigas sinceras, que usam da verdade pra me ajudar a crescer dia a dia... Imitando a Ali, vou colocar em ordem alfabética: Ali, Ana, Bibiana, Elisa, Felícia, Juliana, Karen, Kélin, Mari, Nete, Raquel e Rosana.

E dedico esse post à minha mãe, que me ensinou que a mentira não nos leva a lugar algum... e sempre incentivou a minha "língua solta".

Beijo e obrigada a todos que comentaram o post anterior... arrasaram nos comentários! ;)

domingo, 22 de março de 2009

E o que é "normal"?

Nossa geração está marcada pelo mix de escolhas que são feitas todos os dias pelos indivíduos influenciados pelo ambiente em que vivem...
Em nenhum outro momento histórico percebeu-se tal democracia em relação a tudo, desde moda até modos e costumes. Podemos dizer que hoje as pessoas vivem da maneira que entenderem ser a melhor para si, podendo assim, ser autênticas.
Todavia, é comum ainda em nossos dias ouvirmos comentários maldosos relacionados à maneira como as pessoas se vestem, se comportam, se expressam, enfim, ainda há um pensamento destorcido de normalidade, cujo leva tudo o que foge de tal padrão pessoal de "normalidade" ser considerado anormal.
Muito é debatido sobre tal assunto, visando uma sociedade mais justa e solidária, entretanto, poucos refletem efetivamente sobre ele e o levam para o seu cotidiano.

Então, a minha pergunta é: Será que ter um conceito do que "é normal" e do que "não é normal" é importante nos dias atuais? Ou mais importante do que isso é reconhecermos as diferenças e sabermos usufruir delas em nosso dia-a-dia?

P.S. : E viva a antropologia social!!! =D

De cara nova!

Galera!!!
Em 2009 meu blog sofreu algumas alterações visuais necessárias, porém, a mais significativa se refere às postagens, que serão realizadas com maior frequência, possibilitando uma real interação entre nós.
Desde já agradeço aos queridíssimos e inesquecíveis alunos Ari Bruno Coelho e Vinicius Vill, precursores e entusiastas deste blog, sem a ajuda dos quais, este espaço ainda seria apenas pensamentos soltos de uma professora de português apaixonada por livros e com pouco tempo hábil para alimentar um blog. Meninos, vocês são simplesmente ótimos, excelentes, sem palavras pra vocês...

Jamais, em hipótese alguma eu poderia esquecer do querido Fábio Roberto, que com toda paciência e habilidade construiu um blog pra mim, meu primeiro blog para ser mais exata, e que pela minha total falta de tempo não vingou, ainda assim não posso esquecer a sua importância e ser-lhe grata pela empreitada. De coração: obrigada, querido!!!
Agradeço, também, à queridíssima aluna Bia Martins, responsável pela repaginação total deste espaço e dotada de uma capacidade de criação ímpar para a sua idade, possibilitando inová-lo. Parabéns, Bia! Ficou lindo!!!
Enfim, este ano promete muitas novidades... Fiquem de olho!!!
Beijinhos!!! Jujuba! ;)

domingo, 14 de setembro de 2008

Produção de texto

Elege-se um tema, e, em seguida, sugerem-se os procedimentos que devem ser adotados para uma elaboração de um plano de redação. Em termos práticos, a partir de um tempo proposto, o que se deve fazer? Como fazer? Apresentam-se aqui sugestões, que podem ser analisadas e adaptadas ao desenvolvimento de outros temas e um dos roteiros possíveis para desenvolver um tema.


Antes de iniciar uma redação convém avaliar as seguintes sugestões para produzir um bom texto:

  • a) transcrever o tema, sem subtítulos;
  • b) nunca iniciar um texto com as mesmas palavras do título;
  • c) fazer um levantamento do contexto;
  • d) analisar as ideias;
  • e) repassar tudo o que se pretende escrever;
  • f) determinar a ordem das ideias (iniciar com a mais importante ou com a menos importante);
  • g) empregar frases e períodos curtos;
  • h) evitar repetições de palavras, empregando sinônimos ou pronomes adequados;
  • i) não usar rimas na prosa;
  • j) estabelecer relações lógicas entre os períodos, usando os conectivos adequados;
  • k) não começar período com gerúndio (ou formas nominais do verbo);
  • l) tratar o assunto com precisão e concisão, sem extrapolações.

Parece também muito útil saber como um professor avalia uma redação, quais os elementos que “pesam” mais na correção. Um texto é julgado pelos seus aspectos básicos: estrutura, conteúdo e expressão. Na estrutura avalia-se a unidade do tratamento do assunto, sem extrapolações; a organização das partes (introdução, desenvolvimento e conclusão) e a forma (verso/prosa/descrição/narração/dissertação), que inclui a coerência e coesão. No conteúdo, examina-se a lógica da linha de raciocínio, o encadeamento e a clareza das ideias. Na expressão avalia-se a originalidade do enfoque, das ideias apresentadas; a adequação da expressão ao conteúdo; a concisão e a correção gramatical. Neste último item, note-se que acentuação e ortografia são aspectos de menos importância. A estrutura das frases, a prioridade do emprego dos vocábulos é muito mais importante.

Estrutura: Unidade / Organização / Forma

Conteúdo: Coerência / Clareza

Expressão: Originalidade / Adequação / Concisão / Correção

Um Estilo Centenário

Autor de nove romances, quatro livros de poesia, sete contos, 10 peças de teatro, além de críticas, traduções e crônicas, Machado de Assis foi o crítico da sociedade fútil, da falsidade dissimulada, da retórica vazia, mas era consciente de que é impossível fazer o relato completo da realidade, pois o sentido das coisas não é estável, mas escorreito; não é sólido, mas gelatinoso.
Sinal de seu encanto contínuo, já se falou tanto de Machado que até as interpretações consagradas sobre sua obra conquistaram o benefício da dúvida; ou, pelo menos, da relativização. Há quem ache agora um mito a ideia de um autor de duas faces (o romântico até ingênuo que guina a carreira na maturidade, com Memórias Póstumas de Brás Cubas), em favor da apreensão orgânica de seus livros, fruto que seria de uma mesma sintonia intelectual. Há quem ache irrelevante o “enigma de Capitu”, de ser ela ou não a traidora, que o projeto de Dom Casmurro não é só a incerteza sobre a mulher de Bentinho ou sobre o narrador Bentinho, mas sobre a própria condição do narrador.
Para muitos, Machado teria desenvolvido sua escrita dentro de um marco de ironia estilística, a que José Guilherme Merquior deu fama numa conferência (Machado em perspectiva), na Faculdade de Letras de UFRJ, em 1989. Merquior chama a atenção para a originalidade de Enylton de Sá Rego, o primeiro a vincular Machado à tradição menipeia.
A sátira menipeia traz uma situação fantasiosa, mas seu registro se dá no ponderado, no distanciamento e nos elementos de realismo que tornariam uma situação plausível. Memórias Póstumas de Brás Cubas é a encarnação mais explicita dessa tradição. Cantar a tragédia com gravidade seria jogar no mesmo terreno da melancolia, do mundo de certezas opacas e unívocas. Mas parodiar a morte é rir da própria autopiedade. E Machado o fez embaralhando os gêneros, abusando da ironia e explorando o absurdo quando parecia usar técnicas realistas. Seu humor é gráfico, brinca com associações de ideias, desenha na imaginação do leitor, não vem da piada explicita. Daí seu esmero retórico.

Retórica Machadiana
Como Machado usava sua hoje reverenciada sutileza? A favor de um olhar compreensivo das fraquezas humanas. No conto Um Homem Célebre (Várias Histórias), o pianista Pestana sonha com a imortalidade que nunca terá, a mesma das criações de Beethoven ou Mozart. Tomara gosto pela música na infância com um padre, que as más línguas garantiam ser seu pai biólogo. Mas, engolido pelo horizonte limitado de seu tempo, Pestana ganha fama como compositor de polcas. Esse é o conflito nuclear da narrativa; por isso, Machado logo explorar a filiação de Pestana.
“Compusera alguns motetes o padre, era doudo por música, sacra ou profana, cujo gosto incutiu no moço, ou também lhe transmitiu no sangue, se é que tinham razão as bocas vadias, cousa de que se não ocupa a minha história, como ides ver.”
Em seguida, o narrador centra-se no principal: o cotidiano de um músico de ambições clássicas que, popular mas vencido pelas ambições de ocasião, morre sem compor nada de erudito (“bem com os homens, mal consigo mesmo”).
Até ali o assunto da paternidade de Pestana esteve encerrado, mas Machado, de relance, deixou lá pela metade do conto sua marca. Enquanto narra o pianista num momento entusiasmado da composição de uma polca, menciona de passagem:
“Gosto dela; na composição recente e inédita circulava o sangue da paternidade e da evocação”.
E nos dá, discretamente, com piscadela, a confirmação dos boatos maldosos, que, na superfície, garantira evitar.


Elegância Retórica
Comportamentos insólitos são disfarçados em cenários a que estamos familiarizados. Machado incorporou alusões que dão, à superfície das situações que descrevia, a força de comentário crítico. Seu narrador é irônico, está em permanente dialogo com o leitor. Seu texto quer cumplicidade, busca mudar o gosto de um público que não era, em seu tempo, dos mais experimentados.
O processo de forjar o leitor crítico implicou para Machado chamar a atenção para o funcionamento de seu próprio texto. Em Memórias Póstumas ele consegue até fazer transições narrativas manipulando uma digressão (sobre o método).
“E vejam agora com que destreza, com que fina arte faço eu a maior transição deste livro. Vejam: o meu delírio como meu grão-pescado da juventude; não há nascimento sem meninice; meninice supõe nascimento; e eis aqui como chegamos nós, sem esforço, ao dia 20 de Outubro de 1085, em que nasci. Viram? Nenhuma juntura aparente, nada que divirta a atenção pausada do leitor: nada. De modo que o livro fica assim com todas as vantagens do método, sem a rigidez do método. Na verdade, era tempo. Que isto de método, sendo, como é, uma coisa indispensável, todavia é melhor tê-lo sem gravata nem suspensórios, mas um pouco à fresca e à solta, como quem não se lhe dá da vizinha fronteira, nem do inspetor do quarteirão.”
O mundo é tecido complexo, de poucas, falsas ou meias verdades. Na crônica O Punhal de Martinha, publicada no jornal A Semana (1894), esse limite é explicado:
“Não quero mal às ficções, amo-as, acredito nelas, acho-as preferíveis à realidade; nem por isso deixo de filosofar sobre o destino das coisas tangíveis em comparação com as imagináveis. Grande sabedoria é inventar um pássaro sem asas, descrevê-lo, fazê-lo ver a todos, e acabar acreditando que não há pássaros com asas”.
A realidade de um pássaro sem asas é uma metáfora machadiana típica. A vida não cabe na arte. A dimensão do discurso cria a realidade própria, que então dita os nossos passos. Discurso, convenção social, arte, política, qualquer signo, enfim, cria o próprio objeto e ele se reitera no tempo, se amplifica no espaço, vira tradição, impõe comportamentos como se fossem a própria realidade material do mundo.
O mundo exterior à linguagem, parece dizer Machado, pesa menos que os efeitos de real provocados pelo imaginário humano. O pássaro sem asas é uma imagem irônica da convenção do mundo em discurso, única maneira de realmente representá-lo. Machado reflete sobre a cultura, não a natureza. Descrê de que há essências, vê o mundo como uma construção. E faz isso como quem pisca de lado.

Edição de texto originalmente publicado em Língua Portuguesa 29, abril de 2008

segunda-feira, 1 de setembro de 2008

Uso do Circunflexo

QUE ou QUÊ?
A palavra quê só tem acento circunflexo quando está substantivada ou no fim da frase: “Ela possuía um quê todo especial.” (= substantivo) “Procurava não sabia o quê.” “Ele viajou por quê?”
TEM, TÊM ou TEEM?
“Ele tem” = 3ª pessoa do singular do verbo ter (presente do indicativo); “Eles têm” = 3ª pessoa do plural; “teem” não existe.
VEM, VÊM ou VEEM?
“Ele vem” = 3ª pessoa do singular do verbo vir (presente do indicativo); “Eles vêm” = 3ª pessoa do plural do verbo vir (presente do indicativo); “Eles veem” = 3ª pessoa do plural do verbo ver (presente do indicativo).

Fonte: SILVA, Sérgio N. D. da, O português do dia-a-dia: como falar e escrever melhor. Rio de Janeiro: Rocco, 2004